Se a ciência me deu a técnica, a minha família me deu a alma. Para entender o que eu ofereço hoje, você precisa imaginar dois cenários: o balanço de um barco em alto mar e a paz de uma rede na varanda da fazenda.
Minha juventude foi marcada por uma liberdade azul em Ubatuba, Angra dos Reis e Paraty. Eu vivia o mar ao lado do meu primo e melhor amigo, Braulinho, e da nossa capitã, Celina. Sob o comando do tio Braulio, aprendi que o verdadeiro luxo é a qualidade da companhia.
Mas, enquanto o mar me dava horizontes, a Fazenda Santana, em Itu, me dava raízes. A fazenda era o reino do meu avô Roberto, o mestre da hospitalidade rústica. O ritual era sagrado: depois do almoço, o destino era a rede. Meu avô me ensinou que o maior presente é o seu tempo e a sua atenção.
Com o tempo, a responsabilidade de manter aquela história viva caiu sobre os meus ombros. Morei na fazenda por quase nove anos, cuidando de cada alqueire de eucalipto e preservando o silêncio que meu avô tanto amava. Vivi ali antes, durante e depois da pandemia.
Eu sei a hora de buscar a imensidão do mar e a hora de recolher o coração para o silêncio da terra. Eu não vendo destinos; eu compartilho o estilo de vida que herdei do meu avô e que aperfeiçoei nas ondas do litoral. Minha história é feita de pés descalços na grama e rosto banhado por água salgada.