Janelas para o Mundo e o Horizonte de Miami
A vida tem formas curiosas de nos apresentar o destino, e comigo, tudo começou com uma batida na porta. Eu tinha sete anos quando bati na porta de uma casa exótica no Tamboré e perguntei: "Tem alguma criança aí para eu brincar também?"
Aquela ousadia abriu as portas para um dos capítulos mais transformadores da minha vida. Fui recebido por Alberto, um radiologista, e Arlene, uma arquiteta egípcia-brasileira brilhante. Eles me acolheram como parte da família. O filho deles, Anthony, tornou-se meu companheiro de aventuras.
Passamos temporadas inesquecíveis no apartamento deles nos Estados Unidos, onde absorvi uma cultura diferente, uma estética nova e um jeito global de enxergar a vida. No entanto, essa jornada também foi marcada por descobertas internas e silenciosas.
Eu estava descobrindo a minha sexualidade e nutria pelo Anthony um amor platônico e profundo. Ele, porém, não era gay. Vivi aquele sentimento guardado, frequentando o mesmo círculo e sendo inclusive padrinho do seu primeiro casamento anos mais tarde.
Aquelas janelas de Miami me mostraram que o horizonte era muito maior do que eu imaginava.