A Liberdade Vermelha e o Asfalto de Alphaville
Houve um tempo em que Alphaville era um cenário bem diferente. As ruas eram mais silenciosas e a sensação de segurança permitia que a juventude florescesse com uma independência cinematográfica. Foi nesse cenário, aos quinze anos, que a minha vida mudou de marcha.
Enquanto a maioria dos garotos ainda dependia de caronas, eu já cruzava as ruas do Tamboré ao volante de um Jeep vermelho. Foi uma das maiores lições de psicologia prática que meu pai já me deu. Ele me entregou as chaves não apenas para facilitar o meu ir e vir, mas como um teste de caráter: "Vou dar a ele o volante para ver se ele cria juízo".
Antes do Jeep, foram as motos — a Falcon e a XR — que me apresentaram a sensação do vento no rosto. Eu era um jovem precoce. Aquele Jeep conheceu a lama das trilhas de madrugada com o Kauê e as viagens para o litoral com minhas amigas Stephanie e Pool.
Nós éramos uma tribo unida pela descoberta: Dani, Felipe, Poca, Marcondes, Thi Melo, André, Dieguinho, Leo... nomes que tornavam a vida maior. Eu adorava ser o ponto de união daquela galera. Muitas vezes, o destino final era a nossa fazenda, onde celebrávamos a liberdade de uma adolescência que parecia não ter fim.
Eu já sentia ali o prazer de receber, de proporcionar experiências e de ver as pessoas felizes ao meu redor. Se eu tivesse batido alguns carros dos meus pais no processo? Sim, aconteceu. Fazia parte do aprendizado de quem queria testar todos os limites.
Eu estava aprendendo a pilotar a minha própria história, descobrindo que, por trás do jovem audacioso, existia alguém que valorizava, acima de tudo, a lealdade dos amigos e a confiança da família.