Capítulo 4 - Janelas para o Mundo
Capítulo 4

Janelas para o Mundo e o Horizonte de Miami

A vida tem formas curiosas de nos apresentar o destino, e comigo, tudo começou com uma batida na porta. Eu tinha sete anos quando bati na porta de uma casa exótica no Tamboré e perguntei: "Tem alguma criança aí para eu brincar também?"

Aquela ousadia abriu as portas para um dos capítulos mais transformadores da minha vida. Fui recebido por Alberto, um radiologista, e Arlene, uma arquiteta egípcia-brasileira brilhante. Eles me acolheram como parte da família. O filho deles, Anthony, tornou-se meu companheiro de aventuras.

Com eles, o meu mundo deixou de ter fronteiras. Eles foram meus primeiros professores de inglês e me apresentaram rituais como as tardes precisas nos campos de golfe. Logo, as ruas de Alphaville foram substituídas pelas avenidas de Miami.

Passamos temporadas inesquecíveis no apartamento deles nos Estados Unidos, onde absorvi uma cultura diferente, uma estética nova e um jeito global de enxergar a vida. No entanto, essa jornada também foi marcada por descobertas internas e silenciosas.

Eu estava descobrindo a minha sexualidade e nutria pelo Anthony um amor platônico e profundo. Ele, porém, não era gay. Vivi aquele sentimento guardado, frequentando o mesmo círculo e sendo inclusive padrinho do seu primeiro casamento anos mais tarde.

Aprendi que o luxo não está no que você possui, mas nas experiências que você se permite viver e nas janelas que decide abrir para o mundo.

Aquelas janelas de Miami me mostraram que o horizonte era muito maior do que eu imaginava.

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